Dossier
Doadores alinham com o desporto
Um dossiê de Debra Percival e Hans Piennar
Representação da lenda do futebol da Serra Leoa Ajay Kallon num estádio de futebol nacional, Freetown, 2008.
© Debra Percival
“O desporto tem o poder de mudar o mundo, de inspirar, de unir as pessoas de uma forma que poucas outras actividades têm. Fala aos jovens numa linguagem que eles compreendem.”
Estas palavras entusiásticas do antigo Presidente da África do Sul, Nelson Mandela, condensam a capacidade do desporto para pôr o desenvolvimento em marcha, começando pela auto-estima. Espera-se que o Campeonato do Mundo de Futebol da FIFA que se vai realizar na África do Sul em 2010 – a primeira vez que se realiza no continente africano – traga benefícios sociais e económicos ao país que vão além do acolhimento do evento.
Com pequenas excepções, os doadores levaram tempo a financiar iniciativas de desenvolvimento relacionadas com o desporto, atendendo a outras prioridades e à falta de dinheiro disponível. Outras pessoas entrevistadas para este dossiê sobre o desporto falaram da dificuldade de aceder a financiamentos devido a critérios de avaliação cada vez mais restritivos em função das exigências dos doadores de aplicarem critérios contabilísticos à avaliação de projectos no domínio do desporto.
Foram as ONG que habitualmente tomaram a iniciativa de financiar actividades desportivas, bem como alguns fundos das lotarias nacionais e federações de futebol europeias. A nível nacional, Estados não pertencentes à UE, como a Noruega, o Canadá e a Austrália, bem como o Reino Unido, Estado-Membro da UE, com a sua iniciativa especial “Inspiração Internacional” para os Jogos Olímpicos de Londres de 2012, que relatamos, apresentam alguns dos projectos pioneiros de desporto para o desenvolvimento.
As políticas nacionais de alguns países da África, Caraíbas e Pacífico (ACP), como a Papuásia-Nova Guiné e a Jamaica, já reflectem a importância do desporto para além da criação de atletas de elite e a União Africana (UA) também está decidida a assumir nos seus objectivos de política social a responsabilidade do desenvolvimento do desporto no continente, com alguns países a aguardar que isto possa desencadear a libertação de mais fundos de doadores para programas de desporto.
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