Descoberta da Europa
Nápoles, vanguarda da Europa, de braços abertos para a África
Rosa Russo Iervolino, encabeçando uma maioria do centro-esquerda que preside à Câmara Nápoles desde 2001, é uma das personalidades mais populares de Itália: antiga candidata à presidência e antiga ministra à frente de gabinetes importantes. Depois de ter sido uma figura de proa da ala esquerda da Democracia Cristã, foi um dos fundadores do Partido Popular Italiano.
© Hegel Goutier
Realizações
Estes sete, oito anos foram particularmente difíceis. Há falta de fundos no país. Em Nápoles, esta falta deve-se, em parte, às relações difíceis entre a nossa administração de centro-esquerda e o governo de centro-direita.
Sobre as nossas realizações, o trabalho mais importante é, sem dúvida, o nosso metropolitano, felicitado pela Comissária Europeia dos Transportes, Danita Hubner, como o maior projecto de obras públicas actualmente na Europa. A cidade de Nápoles, entalada entre a colina e o mar, com ruas muito estreitas para se defender na altura das invasões, necessitava urgentemente desta infra-estrutura.
Concentrámo-nos igualmente na reconversão de duas grandes zonas industriais próximas de Nápoles: na de Bagnioli a oeste, onde o encerramento da empresa siderúrgica, Italsider Bagnoli, deixara sem trabalho mais de dez mil trabalhadores, operámos uma reconversão para o turismo, a hotelaria e a navegação portuária, estando o porto de Nápoles saturado;
já na zona oriental, criámos um porto turístico, para onde transferiremos o aquário de Nápoles que será mais lindo que o de Génova, que já goza de reputação mundial. Também para ali irá o Museu (nacional, Ndr) dos Caminhos-de-Ferro.
Dificuldades e trunfos
O nosso grande problema é o desemprego. A nossa taxa de natalidade é relativamente elevada. O desmantelamento da rede industrial não permite absorver os jovens no mercado de trabalho. As novas estruturas turísticas e hoteleiras em fase intermédia ainda não estão prontas a funcionar em pleno.
Um dos nossos trunfos é o porto de Nápoles que, há quinze anos, estava praticamente morto. Estamos a reestruturar a zona da Darsena di Levante, graças às trocas comerciais muito intensas com a China. Isto demonstra que reagimos à crise para atrair investimentos estrangeiros.
Os pontos fortes da região?
O primeiro é, sem dúvida, a paisagem. Sem querer ofender ninguém, temos as ilhas mais lindas do mundo. O segundo, é a natureza em geral. Pensemos, fora do litoral, na fascinante zona envolvente da cidade de Irpinia na província de Avelino. Nápoles é uma cidade nascida grega, tornada romana, depois sob o controlo de Aragão, Svera, Anjou. Temos castelos maravilhosos, como o de Caserta ou o de Capodimonte com uma pinacoteca à altura do Louvre e do Museu de Leningrado. O trunfo principal são as pessoas, hospitaleiras e cordiais. Não obstante Nápoles ser vista como uma cidade western, imagem que lhe cola à pele. Temos uma classe de jovens que compreendeu que, para ser competitiva no mundo do trabalho, tem de estar bem preparada. E está.
Nápoles e África
Durante os trabalhos de escavação para o metropolitano, foram encontradas riquezas incríveis, nomeadamente um porto greco-romano com vestígios fenícios provenientes da África do Norte, do Magrebe, de Creta, o que reflecte a existência de relações culturais artísticas e comerciais já intensas entre Nápoles e uma parte da África. Este tipo de colaboração ainda se mantém. Gostaríamos de ser protagonistas da ajuda ao desenvolvimento em África. Mas não de forma colonialista, pois somos contra o colonialismo e a favor da livre determinação dos povos africanos.
A Câmara de Comércio de Nápoles organiza sessões para representantes de câmaras de comércio africanas convidadas a Nápoles, que descobrem as nossas especializações, os nossos produtos, contactam com os nossos industriais e, sempre que considerem necessário, podem convidá-los a deslocarem-se a África para trabalharem em conjunto. Gostaria de assinalar que temos em Nápoles a mais antiga universidade oriental e é a única cidade onde facilmente se podem encontrar italianos que falam árabe. Este intercâmbio deve prosseguir e Nápoles deve ser ao mesmo tempo uma cidade muito ligada à Europa, mas também de vanguarda da Europa com os braços abertos para a África.
Para mais informações, consultar o sítio web: www.comune.napoli.it



