Ilhas do Pacífico submersas devido ao aquecimento climático

Costas corroídas, lençóis freáticos salinizados, primeiros êxodos de refugiados “climáticos”: o aquecimento climático já é uma dura realidade para a maioria dos insulares do Pacífico. Do mesmo modo, é dada prioridade a programas que permitam a esta população e ao seu ambiente adaptar-se à nova situação climática. Estes programas beneficiam do apoio da União Europeia.

Destruições provocadas pelo tsunami na província de Choiseul.

“Os países em desenvolvimento das ilhas do Pacífico só são responsáveis por 0,03% das emissões mundiais de dióxido de carbono. E, no entanto, prevê-se que estes países tenham que enfrentar as consequências mais precoces e mais graves das alterações climáticas nos próximos dois séculos.” Já em 2001 era este o cenário apresentado pelo Grupo Intergovernamental de Peritos sobre as Alterações Climáticas (GIEC), incumbido pelas Nações Unidas de assistir as Partes na Convenção Internacional nos aspectos científicos das alterações climáticas.

No seu relatório de 2007, o GIEC precisou o seu ponto de vista: “Nas pequenas ilhas receia-se que a deterioração das condições nas faixas costeiras afecte os recursos locais, nomeadamente a pesca, e reduza o valor turístico destes destinos. A subida do nível do mar deverá agravar as inundações, o efeito das tempestades, a erosão e outros riscos das faixas costeiras, ameaçando assim as infra-estruturas, o habitat e as instalações que constituem os meios de subsistência das comunidades insulares. As alterações climáticas reduzirão os recursos hídricos em muitas ilhas de pequenas dimensões, por exemplo nas Caraíbas e no Pacífico, de tal maneira que serão insuficientes para satisfazer a procura nos períodos de pouca precipitação.”

Refugiados climáticos

Minúsculas rochas vulcânicas atiradas e espalhadas no oceano, a maior parte das ilhas do Pacífico são recifes coralinos que mal excedem o nível do mar, quando não se encontram situadas abaixo deste nível, como acontece com a República de Quiribáti, constituída por três arquipélagos, 32 atóis e uma ilha isolada. O ponto culminante de Quiribáti é Banaba e os seus 81 metros. Tuvalu, Estado da Polinésia, tem oito atóis cujo ponto mais alto se situa a 4,5 metros acima do nível das águas… Metade dos seus 11.636 habitantes vive abaixo de três metros de altitude.

Ora, as alterações climáticas tornam as marés altas – águas de até 3 metros acima do nível normal – cada vez mais frequentes. Tuvalu é o primeiro país onde as pessoas tiveram de abandonar as suas terras para escapar às inundações. Quiribáti e Vanuatu também se vêem forçadas a realojar as populações vítimas da erosão das faixas costeiras e da subida do nível do mar. Esta migração forçada, nota um relatório das Nações Unidas, “implica uma necessidade urgente de planos coordenados, tanto a nível regional como internacional, para realojar as comunidades ameaçadas e criar um arsenal político, jurídico e financeiro adequado”.

Perante esta subida inexorável das águas e a recrudescência de ciclones por vezes assustadores – como o ciclone Val, de funesta memória, que, em 2001, devastou a ilha de Samoa, provocando danos avaliados em 230% do PIB desta pequena economia e causando a morte de 13 pessoas –, a Comissão Europeia criou uma Facilidade ACP-UE para as catástrofes naturais. Também estão previstos outros fundos. Por sua vez, o secretário-geral do Programa Regional Oceânico do Ambiente (PROE), Asterio Takesa, indicou que a UE já contribuiu com 200 milhões de euros para a adaptação às alterações climáticas e 150 milhões de euros para planos de acção nacionais. O PROE é uma organização intergovernamental encarregada de promover a cooperação, apoiar os esforços de protecção e melhoria do ambiente do Pacífico e favorecer o seu desenvolvimento sustentável. O PROE conta com 25 membros, quatro países desenvolvidos com interesses directos na região (França, Nova Zelândia, Austrália e Estados Unidos) e 21 países e territórios insulares do Pacífico: os Estados Federados da Micronésia, Fiji, Guam, Ilhas Cook, Ilhas Marianas do Norte, Ilhas Marshall, Ilhas Salomão, Quiribáti, Nauru, Niue, Nova Caledónia, Palau, Papua-Nova Guiné, Polinésia Francesa, Samoa, Samoa Americana, Tokelau, Tonga, Tuvalu, Vanuatu e Wallis e Futuna.

Ecossistemas em perigo

Para Espen Ronneberg, responsável pelas questões climáticas do PROE, o Pacífico representa uma grande variedade de desafios, devido à sua topografia, à capacidade limitada para enfrentar as mutações ambientais e à escassez de competências locais. No seu entender, embora exista um consenso científico sobre o efeito de estufa e a realidade das alterações climáticas, ninguém sabe ao certo se as temperaturas mundiais vão continuar a subir ou se haverá acontecimentos imprevistos. E acrescenta que, se os recifes coralinos e os ecossistemas insulares podem naturalmente adaptar-se em certos limites, ninguém sabe, porém, o que ocorrerá se estes limites forem atingidos rapidamente.

É o caso, nomeadamente, dos mangues, dos ecossistemas preciosos e com grande valor económico. Segundo um estudo financiado, entre outros, pelo Programa das Nações Unidas para o Ambiente (PNUA) (“Os mangues das ilhas do Pacífico face a um clima em evolução e à subida dos mares” - 2006), cerca de 13% dos mangues do Pacífico correm o risco de extinção, sendo os das Ilhas Fiji e Samoa os mais ameaçados. Neste estudo, Kitty Simonds, director executivo do Conselho de Gestão das Pescas do Pacífico Ocidental, explica que “devido aos laços funcionais entre as zonas húmidas de mangues e os restantes ecossistemas costeiros, bem como à sua contribuição importante para a produção haliêutica nas proximidades das faixas costeiras, os governos e as comunidades locais das ilhas do Pacífico devem agir imperativamente para assegurar o aprovisionamento sustentável dos serviços inerentes aos ecossistemas de mangues. O Conselho procedeu recentemente à substituição de todos os seus planos actuais de gestão das pescas por planos integrados, baseados nos ecossistemas, para cada arquipélago. As conclusões e as recomendações do presente estudo contribuem para a elaboração destes novos planos relativos aos ecossistemas haliêuticos e adaptados ao local”.

Marie-Martine Buckens

3 comentários

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#3 writing jobs wrote at 07.09.2010 05:10:

To avoid global warming we must start observe in our house, office or any places by reducing waste, planting a tree and switching to green power.

#2 california liability insurance wrote at 30.08.2010 05:41:

Nice job keep going on

#1 Mitchelle wrote at 06.08.2010 15:56:

Scientists predict global warming will bring big changes to the planet. Many countries are looking at ways to prepare for global warming. While much of the adaptation has to be an effort by governments, individuals can take steps to prepare as well.

 

Mitchelle - essay writers

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