Mais flexibilidade, exigem os deputados ACP-UE

Os acordos de parceria económica (APE) devem ser mais flexíveis e apoiados por um novo fundo de ajuda ao comércio. A ajuda europeia não deve, em caso algum, ser condicionada à assinatura dos acordos – insistiram os parlamentares da Assembleia Parlamentar Paritária (APP) de África, Caraíbas, Pacífico e da União Europeia, reunidos em Praga de 4 a 9 de Abril.

Um agricultor local colhe sorgo produzido com sementes doadas pela Organização para a Alimentação e a Agricultura, através do projecto “Melhorar as Sementes”, Nyala (Sul do Darfur, Sudão), Dezembro de 2006.

“Os progressos nas negociações dos APE dependem presentemente da vontade da Comissão de oferecer concessões aos Governos e negociadores ACP”, declarou a Co-Presidente da Assembleia, a britânica Glenys Kinnock. “Podemos ser incentivados pelo facto de a Comissária Europeia do Comércio, Srª Ashton, se ter empenhado a favor de mais flexibilidade nas negociações.”

A resolução da Assembleia Paritária (cujos co-relatores são o Maliano Assarid Ag Imbarcaouane e o Alemão Jürgen Schröder) reafirma o objectivo de  fazer dos APE, que devem alinhar as relações comerciais entre a Europa e os países ACP pelas regras da OMC, instrumentos de ajuda ao desenvolvimento. Pede-se à Comissão que não force a liberalização dos sectores mais vulneráveis das economias ACP e à UE que não imponha a assinatura dos acordos como condição prévia à ajuda ao comércio e ao desenvolvimento.

Recusa da “condicionalidade” da ajuda

Resolução contra qualquer condicionalidade associada aos APE para concessão da ajuda europeia ao comércio e dos recursos do 10.° Fundo Europeu de Desenvolvimento (FED).

A Assembleia exorta a UE a fornecer “recursos suplementares adequados” para acompanhar a execução dos APE, além das já previstas pelo FED. Metade dos 2 mil milhões de euros anuais que a UE se comprometeu a disponibilizar a título da ajuda ao comércio a partir de 2010 deveria servir para financiar os APE, pede-se na resolução. Este apelo surge na altura em que o Comissário Europeu do Desenvolvimento, Louis Michel, declarou, em 4 de Abril em Bruxelas, “que não haveria afectação de fundos suplementares”, mas um adiantamento de 3 mil milhões de euros sobre o orçamento de ajuda aos países ACP e 500 milhões destinados a compensar a perda das receitas de exportação dos países em desenvolvimento (instrumento “FLEX”).

Cláusulas controvertidas

Além disso, a Assembleia solicita à Comissão que permita a renegociação de “cláusulas controvertidas” constantes dos acordos provisórios já rubricados por alguns países ACP e severamente criticados pelas ONG. Do mesmo modo, a Comissão não deve impor negociações sobre os serviços se os países ACP não estiverem dispostos a fazê-lo, pedem os parlamentares ACP-UE.

A liberalização do comércio de mercadorias implicaria uma perda anual de 359 milhões de dólares em receitas aduaneiras para os países africanos. A Costa do Marfim, por exemplo, perderia o equivalente ao seu orçamento de saúde anual para 500.000 pessoas, segundo um estudo da Universidade britânica de Nottingham, citada no relatório.

Marie-Martine Buckens

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